Temos que ter o maior respeito por esse estilo musical djs, é daqui que tudo fluiu na música eletrônica atual! É um pouco controversa a origem certa da disco music, como outros estilos, há dúvidas do momento exato onde tudo começou. Relatos dão conta que começou em Munique, Alemanha, com o produtor Giorgio Moroder e uma batida constante de bumbo e chimbal, com violinos ao fundo. Mas a vertente mais forte é que a Disco Music começou nos EUA num processo de fusão de soul dos anos 60 com jazz. Alguns relatam que a Disco começou em boates gays de NY, mas isso não tem consistência pelo fato anterior, embora essas boates serviram de pavio para o turbilhão Disco dos anos 70. Também se falava que os filmes “Saturday Night Fever” e “Thank God It’s Friday” foram importantes pontos de virada para a chegada do movimento Disco. A Disco music começava a se expandir; a primeira gravadora responsável pelo movimento foi a Salsoul Records, na Filadélfia, que misturava a música latina, salsa, soul e arranjos orquestrais. Foi a Salsoul que produziu talvez o primeiro hit considerado Disco no mundo, chamava-se “The Hustle” - que chegou até as boates e fez o maior sucesso. Outras gravadoras foram de grande importância para que a música Disco ganhasse o mundo, como Gold Mind e principalmente West End Records que pertencia a Mel Cheren, denominado o padrinho da Disco por suas idéias inovadoras que possibilitaram a criação de sons de qualidade gravados e promovidos em diversos clubes noturnos da época. A partir de então, surgiram diversos hits que não saiam das rádios e embalavam a todos nas diversas boates do mundo, movimentando um grande número de jovens que queriam sair para dançar e agitar a noite inteira. A disco ganhava espaço no cinema, assim como também na televisão. Surgiam diversos talentos Kc & The Sunshine, Village People, Sister Sledge, Chic, Sylvester
, Earth Wind and Fire, Gloria Gaynor, Donna Summer e diversos outros que emplacaram grandes sucessos que são tocados até hoje. Famosas discotecas como a Studio 54 e Paradise Garage, em Nova York, despontavam empolgando multidões em uma pista iluminada por globos e luzes coloridas que ao som da Disco Music não paravam de dançar A Disco chegou a gerar US$8 bilhões por ano para indústria musical. Em 1978 as estações de rádio Disco alcançaram os maiores índices de audiência do mercado americano. No entanto, no final de 1979, a música Disco sofreu uma grande queda. O movimento que havia crescido de forma tão rápida e tão grandiosa perdia seu espaço nas boates que começavam a fechar, na mídia e no mercado. Apesar disso, a música disco foi capaz de modificar-se ao longo desses anos, incorporar novas tecnologias e continuar sendo tocada seja através dos novos estilos musicais que surgiam sob sua influência como o Techno, House, Rap, Acid ou a partir de regravações de músicas da época em um novo estilo que continuam fazendo muito sucesso. Mas o pontapé que faltava para a Disco tomar o planeta foi dado somente em 1977, e contou com um dançarino e um grupo australiano como principais responsáveis pelo estrondoso sucesso mais uma forcinha da indústria do cinema, que não poderia perder a chance de faturar. 
São eles John Travolta e o grupo Bee Gees. O filme? Saturday Night Fever, ou em português Os Embalos de Sábado à Noite. Este mesmo ano também é responsável pelos maiores sucessos da disco, além das faixas de Saturday Night Fever - Stayin´Alive, How deep is your love e Night Fever - tivemos Roberta Kelly com Zodiacs, Earth, Wind and Fire com Fantasy e, uma das mais clássicas até hoje, Disco Inferno com o The Trammps. Além da estréia da modelo Grace Jones no mundo da música, com o hit La Vie en Rose. Finalmente o mundo é tomado pela disco music e o que era, um tanto, restrito aos clubes mais descolados passa a ser de domínio público e o ano de 1978 se torna o mais massificante da cena. Alguns grupos, que ficavam restritos a estes clubes, passaram a ter uma aceitação maior e a mescla da música com a cultura gay rendeu alguns hits como You Make me Feel na voz de Sylvester e Macho (a real real one) com o semi desconhecido Celi Bee, mas o troféu ficou mesmo com o pessoal do Village People que neste ano lançou dois dos mais importantes hits da disco music (e também da gay music) Macho Man e Y.M.C.A. O Grammy também se rendeu ao estilo e o grupo A Taste of Honey ganhou o prêmio de melhor artista novo com a música Boogie Oogie Oogie. São deste ano, também, os sucessos do Santa Esmeralda com a regravação de Don´t Let Me Be Misundestood e Gloria Gaynor com I Will Survive, outro hit gay. O sucesso era tanto que até um grupo contra a disco music foi criado, o Disco Sucks, que morreu pouco tempo depois de sua criação. A nota curiosa disso tudo é que até os roqueiros se aventuraram pela seara disco. O Blondie, grupo com a ex-coelhinha Debby Harry apareceu com Heart of Glass e o grupo de metal Kiss com I Was Made For Loving You. Pois é, todos queriam faturar. Aos poucos, depois deste estouro nos anos de 77 e 78, a disco vai perdendo força. 79 ainda tem um grande destaque, mas as gravadoras querendo apenas faturar em cima da quantidade passaram a jogar no mercado artistas riziveis, os famosos one hit wonders. Artistas totalmente fabricados e que não conseguiam se sustentar além do primeiro compacto, entre as dezenas de novos artistas os que se destacaram foram Anita Ward com Ring My Bell, Alicia Bridges com I Love the Nightlive, Charo com Dance a Little Bit Closer e Laura Taylor com Dancin In My Feet. Claro que os já medalhões continuaram trabalhando. Donna Summer veio com Hot Stuff
e Earth, WInd and Fire com Boogie Wonderland, mas era pouco, principalmente se olharmos para os dois anos anteriores. Em 79 o estilo começava a render seus filhotes e surge um dos primeiros grupos de rap, Sugarhill Gang, mas que foi lançado como um artista da disco music. Novamente é o cinema que dá novo fôlego a um estilo entrando na decadência. Em 1980 são lançados os filmes Fame e Xanadu, respectivamente com Irene Cara e Olivia Newton John, só que no lugar de levarem a disco music de verdade para as telas, o que vemos são tentativas um tanto frustradas de ligar outros ritmos ao que foi sucesso. Os dois filmes tentavam buscar inspiração na disco music, sem realmente conseguir, mas serviram como alento para os fãs das discoteques. Mas o que realmente salvou a disco neste ano foram dois trabalhos de grupos já veteranos, os clássicos Kool and The Gang com Celebration e o Earth, Wind and Fire com Let´s Grove. Mas o fim já estava anunciado com a entrada dos anos 80. Quem ainda segurava a onda nos disco-clubes era o público gay, que foi atingido diretamente pelo começo da AIDS, já que os jovens já não se interessavam em músicas como Phisical, que ainda conseguiu certo destaque, de Olivia Newton John. As vendas dos discos de artistas da Disco Music foram minguando e novos estilos foram tomando seu lugar, mas ao contrário da Disco Music, foram desagregadores. A Disco deu lugar ao Rap, que criou o Break e que, pelo menos aqui no Brasil, ainda era vendido como Disco (Enrolado? É eu sei, mas no Brasil as coisas são assim). O Rock também voltava à cena com o estouro do punk e da new wave. Assim novos grupinhos foram criados e quem gostava de um estilo, normalmente, odiava o outro. A união acabou com o fim da Disco Music. E no Brasil? Pois bem, por aqui a disco durou bem mais do que lá fora, culpa de DJ´s como Iraí Campos e Cia, que insistiam em continuar tocando os clássicos de 77, 78, 79, lá pelos idos de 84, 85, e pior, misturando tudo com a new wave, que chegava por aqui na mesma época. Uma verdadeira salada que só poderia rolar em terras abaixo do Equador. Casas clássicas com TOCO em São Paulo, Hipopotamus e Papagaios no Rio, davam a tônica e sustentavam o estilo. Até uma filial do lendário clube nova-iorquino, Studio 54, foi aberta em São Paulo, pelo empresário Roberto Amaral, não durou muito. Na TV a Rede Globo abraçou o estilo com Dancing Days, que destacou artistas como Frenéticas,
Ronaldo Resedá, Lady Zu entre outros. Fora que todos os outros apresentadores de TV, em outros canais, também aproveitaram a onda pra faturar, até mesmo Flávio Cavalcante, mais famoso por quebrar discos, que ele não gostava, no ar. Mas a exemplo do que rolava lá fora, os jovens foram perdendo interesse pela Disco e novos sons tomaram conta das pistas de dança. Destas casas antigas a única que continua ativa é a TOCO, que fica no bairro da Vila Matilde em São Paulo, mas totalmente descaracterizada, hoje rola por lá samba, pagode e forró. Mas isso não quer dizer que a Disco Music foi esquecida, existem programas de rádio que ainda tocam os grandes sucessos da época, principalmente as baladas terrivelmente açucaradas, mas que embalavam corações mais afoitos. Existem também grupos que se dedicam a viver esta época, um dos destaques fica para os brasilienses do BSB Disco Club, que lembra vários hits em seus shows pelo Brasil. Steve Dahl, um popular DJ de rádio de Chicago, foi o autor da idéia da manifestação anti-disco. Em seu programa diário, conclamou seus ouvintes a participar do “disco demolition day” (o nome do evento também foi idéia de Dahl), que aconteceria no intervalo de um jogo de baseball no estádio de Comiskey Park, em Chicago. Na presença de oitenta mil pessoas (público predominantemente masculino, branco e adulto, suponho), uma “montanha” de LPs de disco music foi colocada no meio do campo e dinamitada por Steve Dahl. A euforia tomou conta da patuléia, que terminou invadindo o campo, entrando em confronto com a polícia e impedindo a realização do segundo tempo do jogo de baseball. O ódio do americano médio à disco music parecia superar a paixão pelo esporte.
Depois deste dia, rádios dos EUA e do mundo que dedicavam sua programação integralmente à disco music aderiram ao formato “rock” e abraçaram a emergente new wave. Os artistas disco sumiram da mídia e do cast das principais gravadoras no tempo de uma batida de hi-hat. Os fãs de música “séria” respiraram aliviados: aquela música “descerebrada”, abusada, debochada, extravagante, escancaradamente negra, propositalmente ridícula e francamente gay estava com os dias contados. Engano, a Disco na verdade nunca terminou, visto por muitos como um modismo indesejável e descartável, o som disco voltou para o underground nos anos 80 e emergiu novamente com toda força nos 90, com o advento da house music e de outras vertentes da dance. A gigantesca onda disco destruiu coisas belas (jogou no ostracismo o funk de James Brown, o soul da Philadelphia e o soul neoclássico, romântico, de Stylistics e de outros grupos vocais do início dos 70), mas ergueu coisas belas também (muitas canções do cânone disco pertencem ao imaginário coletivo e estão no seleto grupo de clássicos pop “infinitos enquanto durem.